Mulheres leem mais

Desde 2001, o Instituto Pró-Livro realiza periodicamente pesquisas sobre o panorama da leitura no país. O último estudo, de 2012, revela que, entre as pessoas entrevistadas que leram pelo menos um livro nos três meses anteriores à pesquisa, 43% eram homens e 57%, mulheres. Conforme o estudo, elas leem mais, mas são menos lidas.

No Brasil, são poucas as pesquisas sobre a participação da mulher no mercado editorial. A pesquisadora Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB), que monitora a publicação de romances no país, adiantou à Agência Brasil alguns números do próximo levantamento, que abrange o período de 2005 a 2014, cujos dados ainda estão sendo organizados.

Nesse período, apenas 29,4% dos romancistas são do sexo feminino. “Houve um aumento, já que, nos anos 70, tínhamos apenas 17,4% de romancistas mulheres”, disse Regina. A pesquisadora ressaltou que as mulheres ainda não representam 30% em nenhum segmento do mercado literário.

É o terceiro período estudado pela pesquisadora, que já avaliou a produção literária de 1965 a 1979 e de 1990 a 2004. Em cada um dos períodos, Regina analisou os romances publicados pelas editoras mais citadas por especialistas. Em 692 obras de 383 autores, a disparidade entre personagens masculinos e femininos chamou a atenção: cerca de 60% dos personagens encontrados eram do sexo masculino. “Na imensa maioria das vezes, os homens são também protagonistas.”

Regina destaca o fato de mulheres terem sido premiadas, de uns tempos para cá, nos principais eventos literários, que antes eram dominados por autores masculinos. No entanto, o preconceito ainda é muito forte, afirmou a pesquisadora. “Existe, muitas vezes, a ideia que mulheres só escrevem coisas de mulheres, enquanto tudo que os homens escrevem é considerado universal. Isso é complicado, porque as mulheres são maiorias nos cursos de letras.”

A pesquisadora tem a impressão de que as mulheres são também maioria entre os acadêmicos que pesquisam e publicam sobre literatura. “Então precisamos intervir. Se deixar correr solto, o panorama não muda. E há muitas escritoras de potencial, inclusive escritoras negras, que são ainda mais prejudicadas. O negro também praticamente inexiste em nosso mercado literário”, enfatizou.


Por Léo Rodrigues – Correspondente da Agência Brasil – Fonte: Portal EBC, sob Licença Creative Commons Atribuição 3.0 Brasil.

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